sábado, 24 de abril de 2010

“Uma velha”

Nossa como ela era velha,
E até cheirava mal, como uma vaca velha mesmo.
E nossa como era feia...
Feia como o holocausto,
Feia como briga de foice entre pai e filho
Feia como ver um cão chupando manga
Em cima de um pé de jaca...

Mas a velha tinha no sorriso o poder pra cativar,
Cativava
Qualquer um: homem, mulher, animal e criança.
Acho que era mais velha que a floresta Amazônica
E falava meu santo deus, como falava...
Tinha mais historias que o São Francisco tem gotas de água.
Seu rosto era tão decadente e cheio de sardas,
[Mais sardas do que os grãos das praias de são Paulo]

E como era sabia aquela velha...
Sabia mais do que qualquer professor de historia
Poderia saber.
Tinha conselhos tão bons que os devia vender
Sua sabedoria era infinita
Sabia simplesmente tudo que havia para saber.

Era tão rabugenta,
Reclamava como pobre na chuva,
Reclamava até da chuva.
E quando estava furiosa,
Fazia até o Cão tremer.
Acho que naquela velha não havia medo de nada,
Acho que fazia força nas lembranças da juventude.
Dizem que era a moça mais linda que o mundo já viu,
Tinha olhos verdes e sorriso de menina-moça,
Hoje esquecidos pelas rugas do rosto...

Eu daria o resto da minha vida,
Só pra ver ela jovem e feliz de novo,
Mesmo que só mais um dia...
Velha, velha... minha velha...
Hoje vc está morta, ai no céu esta tão linda e tão jovem...

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